Lá estava ela. olhos inchados, maquiagem borrada. As lagrimas ainda umedeciam seu rosto alvo.
- Meu Deus, por favor, tire isso do meu coração... - ela suplicava.
Ninguém parecia se importar, talvez Ele se importasse. Não que ela necessariamente acreditasse Nele, mas uma garota com o coração partido já não está lúcida suficientemente para escolher no que acreditar.
Desespero. talvez seja essa a apalavra. um misto de medo, angustia, insegurança. Tudo isso, mais duas garrafas de vodca.
ela apoiou-se na pia, fixando o olhar no espelho. não reconhecia a mulher destruída que seu reflexo insistia em mostrar.
- Como isso aconteceu comigo?
Em um lapso, sua mente clareou e logo em seguida escureceu.
É, o problema era ele. Ele estava logo ali, depois da porta do banheiro, com outra. não, ela não pode aguentar. sentiu seu estomago rasgar de dor, ela sentia que ia explodir. mas não explodiu. não. não seria tão fácil assim escapar.
abaixou-se para respirar, mas sentiu a vodca subir na garganta. nem teve tempo de se mover, vomitou ali mesmo.
queria que todas as suas impurezas e toda a podridão que o amor causou à sua pobre alma tivessem sido jogados para fora do corpo, junto com a vodca. mas sabia que o que sentia não cabia a seu corpo expelir.
limpou a maquiagem manchada e calçou os saltos, mas seus medos continuavam ali. lavou o rosto e ergueu-se, torcendo para que da próxima vez, seu coração vomitasse.